14/09/2026
Festival de Osun - Ilê IFA - Arujá 2026
Osun soprou sobre seus caminhos e lhe ensinou um segredo antigo: antes de se entregar ao outro, era preciso pertencer a si mesma.
Ela atravessou rios, noites, desejos e tropeços. Caminhou por lugares onde quase se perdeu, até descobrir que algumas travessias são ritos de passagem — a mulher que entra não é a mesma que retorna.
Então, renasceu.
Mais bonita porque conhece suas cicatrizes. Mais sensual porque habita o próprio corpo. Mais forte porque já não pede permissão para existir.
Nela despertou o feminino ancestral — aquele que não precisa gritar para ser força, nem se explicar para ser mistério. Um feminino que conhece o tempo das águas, o silêncio das ervas, o poder do corpo e a sabedoria guardada na memória das mulheres que vieram antes.
E foi com as mãos que ela aprendeu a transformar tudo isso em arte. Como artista, pinta seus próprios feitiços. Cada tela carrega um pouco de sua memória, de seus desejos, de suas águas e das mulheres que vivem dentro dela. Ela pinta como quem encanta, como quem abre portais entre o visível e o invisível.
Mas sua magia não mora apenas na pintura.
Ela também é doce companhia. Tem a delicadeza de quem sabe acolher, o riso que suaviza os dias e uma presença que convida a ficar. Há nela mistério e ternura, força e doçura, sensualidade e silêncio.
Ela é mulher, rio, artista e encantamento.
Uma bruxa branca feita de amor, força e magia, que aprendeu que o verdadeiro feitiço não é prender ninguém — é tornar-se tão inteira que o amor possa chegar e encontrar morada.
📸 Marcello Vitorino