07/06/2026
Este vídeo ilustra apenas uma pequena parte da dimensão que a figura do Barão de Catas Altas alcançou em todo o Brasil. O catas-altense João Batista Ferreira de Sousa Coutinho foi citado por diversos viajantes e cronistas ao longo do século XIX, entre eles Wilhelm Ludwig von Eschwege, em 1833, e Richard Francis Burton, em 1869, além de muitos outros que registraram impressões sobre sua trajetória durante passagens pela região.
Em 1878, o Dr. José Alexandre Teixeira de Mello voltou a trazer o personagem ao conhecimento do público ao reproduzir uma publicação de 1839 do jornal francês “Journal des Débats”, assinada por Max Leclerc. Esse texto serviria de base para inúmeras narrativas e versões difundidas nas décadas seguintes.
No entanto, foi a partir das primeiras publicações de Viriato Corrêa sobre o Barão, em jornais de 1919, e posteriormente no livro “Histórias da Nossa História”, lançado no ano seguinte, que sua figura ganhou projeção nacional de forma muito mais intensa. Décadas depois, o romance histórico “Gongo Soco”, de Agripa Vasconcelos, publicado em 1966, renovou o interesse popular pelo personagem e ajudou a consolidar sua imagem no imaginário brasileiro.
É importante destacar, porém, que tanto as obras de Viriato Corrêa quanto a de Agripa Vasconcelos adotaram um tom bastante romantizado, ampliando ou exagerando determinados episódios da vida do Barão. Essa visão foi posteriormente questionada e revisada por Darcy Duarte de Figueiredo no livro “A Verdade sobre o Caluniado Barão de Catas Altas e a Mina do Gongo Soco”, publicado em 1987.
A história de João Batista Ferreira de Sousa Coutinho que muitos conhecem atualmente deriva, em grande parte, dessa construção literária mais romantizada e exagerada. Foi justamente essa versão que inspirou sambas-enredo como os da Unidos do Viradouro, em 1975, da Império da Tijuca, em 1980, e da Bambas da Orgia, em 1998.
Vídeo: Pesquisa, texto e vídeo por Miguel Sá.