09/08/2026
O ALGARVE JÁ PROVOU QUE É CAPAZ. FALTA SER ESCOLHIDO.
O concerto de Kanye West voltou a colocar o Algarve no centro das atenções. Houve polémica, opiniões para todos os gostos e certamente aspetos a melhorar. Mas houve também algo que não pode ser ignorado:
O Algarve mostrou, mais uma vez, que é capaz de receber eventos de grande dimensão.
E esta não foi a primeira prova.
O Afro Nation, ao longo dos últimos anos, demonstrou o impacto que um grande evento internacional pode ter na região. Trouxe milhares de pessoas de diferentes nacionalidades, projetou o Algarve além-fronteiras e gerou movimento na hotelaria, no alojamento local, na restauração, nos transportes e no comércio.
Esse contributo deve ser reconhecido.
Mas há uma questão que me incomoda.
Por vezes f**a a sensação de que o Algarve recebe aquilo que outros não querem, não podem ou recusam receber.
E não deveria ser assim.
O Algarve não deve ser uma solução de recurso. Deve ser uma primeira escolha.
Temos aeroporto internacional, hotéis, alojamento local, restauração, praias e paisagens únicas, estádios e outros equipamentos, experiência turística e capacidade para acolher milhares de visitantes.
Então por que razão continuamos praticamente fora da rota regular dos grandes concertos?
Mais importante ainda: por que não utilizar estes eventos como uma verdadeira ferramenta de combate à sazonalidade?
Em julho e agosto o Algarve já está cheio. É entre outubro e maio que um grande concerto ou festival pode fazer ainda mais diferença.
Um estádio cheio em novembro, fevereiro, março ou abril signif**a quartos ocupados, restaurantes com clientes, comércio com movimento, transportes a trabalhar e pessoas que talvez nunca viessem ao Algarve nessa altura do ano.
E signif**a também algo que muitas vezes esquecemos: os algarvios têm direito a usufruir de grandes eventos na sua própria região, em vez de Lisboa e Porto serem quase sempre as únicas opções.
O Afro Nation provou que existe procura.
O concerto de Kanye West voltou a provar que temos capacidade.
Agora falta dar o passo seguinte: deixar de esperar pelo que sobra e começar a disputar e captar os grandes eventos que queremos.
Com planeamento. Com regras. Com segurança. Com respeito por quem cá vive. E, sobretudo, com uma estratégia regional que envolva municípios, Turismo do Algarve, empresários e promotores.
Não queremos o Algarve apenas quando os outros dizem “não”.
Queremos um Algarve onde os grandes promotores também possam dizer:
“É lá que queremos fazer.”
Porque combater a sazonalidade não se faz apenas com discursos.
Faz-se criando motivos para vir ao Algarve durante todo o ano.