09/09/2026
A Sé Catedral de Portalegre reúne o maior conjunto de pintura maneirista de Portugal num só espaço sagrado.
As origens da catedral remetem a 1556, quando o rei D. João III ordenou a sua edificação num contexto marcado pela Contra-Reforma e pelas orientações do Concílio de Trento, tornando o templo num reflexo da renovação eclesial e artística desse período. Intrinsecamente ligada à fundação e à identidade de Portalegre, a Sé mantém-se como um pilar da vivência religiosa, cultural e social da região.
Entre os seus elementos arquitetónicos de maior destaque figura o claustro barroco, cuja construção teve uma história conturbada. Iniciada apenas em 1726, 170 anos após o arranque da obra da Sé, a edificação foi impulsionada pelo Bispo D. Álvaro Pires de Castro e Noronha. No entanto, a sua morte em 1737 ditou uma interrupção dos trabalhos que se prolongou por 41 anos e atravessou quatro mandatos episcopais. A obra seria finalmente retoma e concluída sob a liderança do Bispo D. Manuel Tavares Coutinho e Silva, figura determinante na consolidação da catedral, que acabou sepultado na Capela de São Tiago, por si mandada erguer no próprio claustro.
De planta quadrangular e distribuído por dois pisos, o claustro ostenta cinco arcos redondos por tramo, com pilares e arcos decorados com molduras chanfradas. A longa paragem nas obras deixou marcas visíveis na estrutura: enquanto o primeiro tramo a ser edificado foi totalmente revestido a mármore, a escassez de recursos após o interregno fez com que os restantes tramos apresentassem apenas as bases das colunas naquele material, sendo o restante revestimento executado em argamassa.
Uma profunda intervenção de restauro recente, em mais de três milhões de euros, permitiu recuperar e expor pinturas murais até agora ocultas. Com mais de uma centena de obras distribuídas por 10 dos seus 12 altares, quase todas mantidas na localização original, o monumento do Alto Alentejo reforça assim a sua dimensão como espaço museológico de relevo.
A Sé Catedral de Portalegre não conseguiu um lugar na final do concurso das novas 7 maravilhas de Portugal, mas entre a memória das pedras e o silêncio sagrado, será sempre uma referência de orgulho para todos os portalegrenses.